Planilhas apreendidas pela Polícia Federal na residência do candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) indicam a existência de uma estrutura que, segundo a investigação, teria sido organizada para beneficiar eleitoralmente o ex-deputado e sua esposa, Tatyanne Aguillera, conhecida como Dra. Taty (PSDB), candidata a deputada federal nas eleições deste ano.
As informações foram reveladas nesta quinta-feira (1º) pelo Metrópoles, que teve acesso a detalhes da investigação. De acordo com a reportagem, seis conjuntos de planilhas analisados pela PF reúnem 12.175 registros na coluna identificada como “QTD” e valores que, somados, chegam a R$ 4.228.100.
Os documentos foram apreendidos durante a Operação Filargíria, deflagrada em 24 de setembro, quando Jalser foi preso em flagrante. Nas planilhas aparecem nomes de pessoas identificadas como lideranças, coordenadores e referências em bairros de Boa Vista e municípios do interior de Roraima, além de quantitativos, valores e registros associados à sigla “BU”.
Segundo a apuração do Metrópoles, investigadores relacionam a rubrica “BU” a pagamentos que seriam destinados a eleitores. A investigação trabalha com a suspeita de que a estrutura teria como finalidade favorecer tanto a candidatura de Jalser à Assembleia Legislativa quanto a de Dra. Taty à Câmara dos Deputados.
Jalser é preso pela segunda vez
As novas informações vieram a público no mesmo dia em que Jalser Renier voltou a ser preso pela Polícia Federal. Na manhã desta quinta-feira (1º), o candidato foi preso preventivamente durante a Operação Lemming, desdobramento das investigações sobre suspeitas de corrupção eleitoral e associação criminosa nas eleições de 2026.
A Justiça Eleitoral também autorizou seis mandados de busca e apreensão em Boa Vista, Cantá e Caracaraí. Entre as medidas determinadas estão a proibição de contato entre investigados, restrições a saques em dinheiro e o bloqueio de bens e valores de até R$ 4.228.100.
Entre os nomes citados pelo Metrópoles como alvos ou pessoas apontadas na investigação estão Itelvina da Costa Padilha, mãe de Jalser; Rosilany Maria Marques Pereira Stefanello, identificada como coordenadora de campanha; Marcio Jose Bergmann, apontado como coordenador no Cantá; Daniel Cavalcante Rigo, em Caracaraí; além de Rosineide Araujo Xavier e João dos Santos Moura, em Boa Vista.
Conforme os dados divulgados pelo portal, Rosilany estaria vinculada a registros referentes a 1.046 eleitores e R$ 313,8 mil. Marcio Bergmann aparece relacionado a 600 eleitores e R$ 180 mil; Daniel Rigo, a 500 eleitores e R$ 250 mil; Rosineide Xavier, a 470 eleitores e R$ 94 mil; e João Moura, a 220 eleitores e R$ 66 mil. Os números integram o material sob análise dos investigadores e não representam, por si só, comprovação definitiva dos crimes investigados.
Primeira prisão ocorreu em setembro
A prisão preventiva desta quinta-feira ocorreu uma semana depois de Jalser ser preso em flagrante pela PF, em 24 de setembro. Naquela ocasião, policiais encontraram R$ 19,1 mil em espécie em um closet da residência do candidato, além das planilhas que deram origem ao aprofundamento das investigações.
Segundo o Metrópoles, os registros apreendidos indicariam valores individuais entre R$ 200 e R$ 500 e utilizariam a rubrica “BU”, interpretada na investigação como referência a “boca de urna”.
Após a primeira prisão, Jalser passou uma noite na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista. A prisão em flagrante foi homologada em audiência de custódia, mas o candidato foi colocado em liberdade mediante medidas cautelares.
Defesa se manifesta
Em nota divulgada após a nova prisão, a defesa de Jalser Renier informou que a medida decorre de decisão proferida em processo que tramita sob segredo de Justiça. Os advogados afirmaram estar adotando as providências necessárias para obter acesso integral ao procedimento e conhecer os fundamentos da decisão.
A defesa também declarou que Jalser permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Ex-presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Jalser Renier teve o mandato cassado em 2022. Ele também responde a processo relacionado ao sequestro do jornalista Romano dos Anjos, ocorrido em 2020, caso pelo qual chegou a ser preso em 2021.
Fonte das informações sobre as planilhas: Metrópoles, Coluna Mirelle Pinheiro.



Comentários