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BOA VISTA

Comunidades indígenas iniciam colheita de milho após enfrentar forte estiagem em Boa Vista

Mesmo sob os efeitos do El Niño, produtores mantiveram o cultivo de 102 hectares; seca pode reduzir a produtividade em cerca de 50% em relação a 2025.

Mesmo diante de uma forte estiagem e dos impactos do El Niño sobre as lavouras, comunidades indígenas de Boa Vista mantiveram o cultivo de milho e começaram a colher a produção deste ano. Ao todo, 102 hectares foram plantados nas comunidades do município, numa safra marcada pela redução das chuvas e pelo risco de perdas significativas.

Na comunidade Serra do Truaru, a colheita começou na quarta-feira (23). As famílias produtoras cultivaram oito hectares de milho e conseguiram completar o ciclo mesmo em um cenário climático desfavorável.

A produção ganha importância especialmente pelas condições enfrentadas pelos agricultores. A forte estiagem registrada em julho atingiu lavouras em diferentes regiões de Roraima justamente em um período no qual as chuvas são importantes para o desenvolvimento e o enchimento dos grãos.

A falta de precipitação comprometeu parte da produtividade, mas não interrompeu o plantio nas comunidades indígenas. A manutenção das lavouras evidencia a capacidade de adaptação e resistência dos produtores diante das adversidades climáticas.

Na Serra do Truaru, o cultivo envolve a participação direta das famílias da comunidade, que acompanham todo o processo, do preparo da área até a colheita.

Segundo a coordenadora do projeto de grãos da comunidade, Keila da Silva, chegar à colheita depois de meses de trabalho representa a concretização do esforço dos produtores.

“Hoje estamos aqui colhendo o resultado de meses de trabalho. Agora, uma parte da nossa colheita vai ser vendida e a outra fica na comunidade para alimentar os animais”, afirmou.

A produção tem, portanto, dupla finalidade: parte gera renda para os agricultores e outra parcela permanece na própria comunidade, contribuindo para a criação de animais e para a manutenção das atividades produtivas locais.

Máquinas ajudam a reduzir custos

O cultivo também contou com assistência técnica, máquinas agrícolas, preparação do solo e fornecimento de insumos pela Prefeitura de Boa Vista. O suporte permitiu que as famílias realizassem o plantio dentro da janela adequada e reduzissem custos que dificultariam a produção em áreas maiores.

Integrante do projeto de grãos da Serra do Truaru, Robermário da Silva afirma que a mecanização foi fundamental para que a comunidade conseguisse cultivar os oito hectares.

“Se fosse trabalhando na mão, não seria possível plantar no tempo certo, nem colher essa quantidade de milho que estamos colhendo aqui”, disse.

O secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva, afirmou que o apoio busca ampliar a capacidade produtiva e a geração de renda entre os agricultores indígenas.

El Niño ameaça produtividade

Apesar da manutenção do cultivo, os efeitos da estiagem devem aparecer no volume final da safra. Em Boa Vista, a expectativa informada é de que as perdas possam chegar a aproximadamente 50% em comparação com a produção obtida nas mesmas áreas em 2025.

O cenário está associado às condições climáticas enfrentadas durante o desenvolvimento das lavouras. A redução das chuvas ocorreu justamente em uma fase importante para a formação dos grãos, afetando o potencial produtivo do milho.

A perspectiva de intensificação do período seco ao longo do segundo semestre aumenta a preocupação com as atividades agrícolas dependentes do regime de chuvas.

Nesse cenário, a colheita iniciada na Serra do Truaru vai além do resultado de uma safra. Os oito hectares cultivados mostram como as comunidades indígenas continuam produzindo mesmo diante de condições ambientais adversas, combinando trabalho coletivo, conhecimento da realidade local e apoio técnico para manter a agricultura e gerar renda.

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