Pacientes acamados ou com mobilidade reduzida que não conseguem chegar às Unidades Básicas de Saúde (UBSs) estão recebendo coleta de exames laboratoriais em casa, em Boa Vista. O atendimento faz parte do projeto Diagnóstico Sem Barreiras e é direcionado principalmente a pessoas com limitações físicas que dificultam ou impedem o deslocamento.
O processo começa com a avaliação do paciente pela equipe da Estratégia de Saúde da Família (ESF). A partir do quadro clínico e da necessidade de acompanhamento, os profissionais solicitam os exames e a coleta é agendada para ser realizada na residência.
Nesta segunda-feira (28), um dos pacientes atendidos foi José Lino Bailiote, de 58 anos, que perdeu a mobilidade das pernas após sofrer uma queda, quando ainda morava no Pará. Há cerca de um ano e meio, ele é acompanhado pela equipe da UBS Raiar do Sol.
“Como tenho que fazer tudo sentado, me vestir, tomar banho, é mais difícil para sair de casa. A vinda da equipe até aqui facilita as coisas para mim”, relatou.
Atualmente, as coletas estão concentradas na Macro 8, que atende os bairros Airton Rocha, Distrito Industrial, Nova Cidade, Operário e São Bento. Depois dessa etapa, está previsto o retorno das equipes à Macro 1, formada pelos bairros Caranã, Cauamé, Jardim Primavera, Psicultura, Santa Teresa, Tancredo Neves e União, para um segundo ciclo de atendimentos.
Exames são definidos conforme necessidade do paciente
Segundo o bioquímico Fabiano Coelho, responsável pelas coletas, boa parte dos pacientes atendidos apresenta condições que comprometem severamente a mobilidade, entre elas paralisia cerebral, tetraplegia e sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC).
A coleta domiciliar evita que essas pessoas precisem enfrentar deslocamentos que, em muitos casos, exigiriam transporte especial ou auxílio de familiares e cuidadores.
Os exames realizados não ficam restritos a um procedimento específico. Conforme a indicação da equipe de saúde, podem ser coletadas amostras para hemograma, exames bioquímicos e hormonais, parasitológicos e EAS (exame de urina), entre outros.
Depois da coleta, o material segue para processamento no laboratório. Os resultados são encaminhados à equipe da unidade de saúde responsável pelo acompanhamento do paciente, permitindo a continuidade da avaliação clínica.
A estratégia também possibilita identificar alterações no estado de saúde de pessoas que, justamente pelas dificuldades de locomoção, podem enfrentar maiores obstáculos para realizar exames de rotina. A partir dos resultados, as equipes podem definir medidas preventivas, novos exames ou tratamentos necessários.
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