A Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência do deputado estadual e candidato à reeleição Marcinho Belota (PL), na noite desta sexta-feira (2), em Boa Vista. A informação foi divulgada pelo g1 Roraima, que aponta a ação como desdobramento da investigação sobre um suposto esquema de compra de votos envolvendo também a candidatura de Daniel Trindade (PL) à Câmara dos Deputados.
Durante as buscas na casa de Belota, os agentes apreenderam documentos, um notebook e R$ 6 mil em dinheiro, segundo o portal. A medida foi adotada depois de uma ação da Polícia Federal no bairro Calungá, onde eleitores teriam sido levados a imóveis para receber dinheiro em troca de apoio eleitoral.
De acordo com informações da investigação divulgadas pelo g1 Roraima, o esquema teria utilizado dois imóveis no bairro Calungá. Em um deles, os eleitores se reuniam antes de serem encaminhados para outro endereço, onde supostamente ocorria o pagamento.
Pessoas abordadas durante a operação relataram aos investigadores que receberam R$ 400 em notas de R$ 100. Segundo a apuração policial relatada pelo g1, o dinheiro seria dividido em R$ 200 pelo apoio eleitoral a Marcinho Belota e outros R$ 200 pelo voto em Daniel Trindade. Os investigadores também apontam que os celulares dos eleitores eram recolhidos durante a entrega para evitar registros.
A investigação teve início depois que o Disque-Denúncia Eleitoral recebeu informações sobre uma possível prática de compra de votos na tarde de quinta-feira (1º). A partir da denúncia, policiais passaram a monitorar os imóveis.
Investigados
Além de Marcinho Belota e Daniel Trindade, a investigação cita outras três pessoas. Vanessa da Silva Soares é apontada como responsável pela organização de eleitores em grupos de WhatsApp e pela orientação sobre o deslocamento até os locais onde os pagamentos supostamente eram realizados.
Thyago de Souza Franco, segundo a investigação divulgada pelo g1, seria operador financeiro da campanha de Daniel Trindade. Ele teria relatado aos investigadores ter recebido R$ 19 mil em espécie no comitê eleitoral e distribuído aproximadamente R$ 12 mil em um dos imóveis monitorados.
Outro citado é Arthur Henrik Flessak Gomes, servidor comissionado do gabinete de Marcinho Belota e motorista de uma caminhonete que, segundo a investigação, teria sido utilizada no transporte do dinheiro. De acordo com o g1, ele declarou aos investigadores ter conhecimento da compra de votos.
Durante as diligências no Calungá, policiais abordaram um veículo onde estavam Thyago e Arthur e apreenderam dinheiro. A perícia realizada no celular de Thyago encontrou, segundo a investigação, mensagens relacionadas à distribuição dos valores.
O g1 informa ainda que foram encontradas conversas nas quais Daniel Trindade fazia referência à atuação conjunta das duas candidaturas. Papéis contendo listas de eleitores com marcações feitas à caneta também foram apreendidos e, conforme a investigação, seriam utilizados para controlar quem já havia recebido os pagamentos.
Belota e Daniel contestam investigação
Ao g1 Roraima, Marcinho Belota afirmou que teria sido incluído na investigação em razão de sua ligação com Daniel Trindade. Sobre os R$ 6 mil encontrados em sua residência, declarou que o dinheiro seria utilizado como troco no caixa de uma empresa de sua propriedade. Também afirmou que um caderno apreendido pelos policiais continha anotações referentes às eleições de 2022.
Belota ainda criticou a forma como a busca foi realizada e alegou que a ação provocou danos em sua residência e resultou na morte de uma gata de estimação.
Daniel Trindade, por sua vez, negou envolvimento em irregularidades e atribuiu as operações a uma suposta articulação de adversários políticos. As declarações são versões dos investigados e não afastam a continuidade das apurações conduzidas pelas autoridades.
Daniel já havia sido preso
Daniel Trindade já havia sido alvo de outra ação da Polícia Federal em 25 de setembro, durante a Operação Cunhambebe. A investigação original apurava suspeitas relacionadas à formação de uma milícia privada para atuar na Terra Indígena Raposa Serra do Sol e possíveis crimes ambientais.
Durante o cumprimento das medidas, porém, policiais encontraram indícios de crimes eleitorais e Daniel acabou preso em flagrante por suspeita de compra de votos. Ele foi solto no dia seguinte.
As investigações prosseguem para esclarecer a participação de cada um dos envolvidos e eventual responsabilidade criminal e eleitoral.
Com informações do g1 Roraima.



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