Neste domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas. Em Roraima, depois de uma campanha intensa, marcada por disputas políticas, decisões judiciais, pesquisas, denúncias, operações policiais, debates e uma avalanche diária de informações nas redes sociais, chegou o momento em que o barulho da campanha precisa dar lugar à consciência de cada eleitor.
Ao longo deste processo eleitoral, procurei seguir uma convicção que sempre orientou meu trabalho: jornalismo não existe para dizer ao cidadão em quem votar. Existe para oferecer informações que permitam ao cidadão decidir por conta própria.
Parece uma distinção simples. Nos tempos em que vivemos, deixou de ser.
A política transformou as redes sociais em campos de batalha. Verdades, meias-verdades, versões interessadas, propaganda e desinformação disputam os mesmos segundos de atenção na tela do celular. Nesse ambiente, o jornalismo profissional tem uma responsabilidade ainda maior: verificar antes de publicar, corrigir quando errar, ouvir os lados envolvidos e, sobretudo, não apresentar opinião como se fosse notícia.
Foi isso que procuramos fazer no Roraima na Rede durante esta eleição.
Não reivindico infalibilidade. Jornalistas erram. Redações erram. Eu erro. O compromisso ético não está em fingir que o erro é impossível, mas em trabalhar para evitá-lo e ter honestidade suficiente para reconhecê-lo quando acontece.
Também nunca escondi minhas opiniões.
Quem acompanha o meu trabalho sabe que tenho posições, faço críticas, questiono discursos e interpreto os acontecimentos políticos. Ser jornalista não significa deixar de ser cidadão. Significa saber distinguir essas duas dimensões quando se exerce o jornalismo.
Por isso fizemos uma separação deliberada.
No Roraima na Rede, a notícia foi tratada como notícia. Buscamos informar com isenção, conferir documentos, apresentar números, registrar declarações e contextualizar os fatos.
Para a opinião, reservamos espaços claramente identificados. Este Blog do Luiz Valério é um deles. Os vídeos opinativos publicados no canal @roraimanaredeoficial também cumprem essa função. Nesses ambientes, análise é análise, comentário é comentário e opinião é opinião.
Essa fronteira importa.
Quando um veículo abandona essa distinção, o leitor perde a possibilidade de saber onde termina o fato e começa a interpretação de quem escreve. E quando isso acontece, o jornalismo corre o risco de deixar de informar para tentar conduzir.
Não é esse o papel que escolhi para mim.
A partir de agora, porém, há uma responsabilidade que nenhuma redação, jornalista, influenciador, candidato ou cabo eleitoral pode assumir no lugar de quem está diante da urna.
A responsabilidade é do eleitor.
Cada voto deste domingo carregará consequências que ultrapassam o instante em que alguém digita alguns números e aperta a tecla verde. Estamos escolhendo pessoas que administrarão recursos públicos, formularão leis, definirão prioridades e tomarão decisões que afetarão nossa saúde, nossa educação, nossa segurança, nossa economia e o futuro das próximas gerações.
Por isso, votar não deveria ser um gesto movido apenas pela simpatia, pela raiva, pelo medo ou pela mensagem que chegou no grupo da família na noite anterior.
É preciso olhar trajetórias. Comparar propostas. Examinar administrações anteriores. Conferir acusações antes de transformá-las em condenações. Observar alianças. Perguntar quem financiou determinadas narrativas. E, principalmente, desconfiar das certezas fáceis que a política oferece em tempos difíceis.
Democracia exige liberdade. Mas liberdade sem responsabilidade pode produzir escolhas das quais uma sociedade passa anos tentando se recuperar.
Neste domingo, ninguém estará dentro da cabine conosco.
Ali não haverá candidato, jornalista, pastor, empresário, chefe, amigo, algoritmo ou influenciador. Haverá apenas o eleitor diante da urna e da própria consciência.
Fizemos, no Roraima na Rede, o possível para que informação não faltasse durante esta campanha. Outros veículos também cumpriram esse papel. A partir daí, cada cidadão precisa fazer aquilo que nenhuma imprensa séria deveria pretender fazer por ele: escolher.
O voto é secreto justamente porque, naquele instante, a decisão pertence somente a você.
Que cada roraimense e cada brasileiro vote com liberdade, informação e consciência.
E que, na segunda-feira, independentemente dos vencedores e dos derrotados, continuemos fazendo aquilo que cabe à imprensa numa democracia: fiscalizar o poder, conferir os fatos, fazer perguntas incômodas e contar ao cidadão o que descobrimos.
Porque campanhas terminam.
O jornalismo, não.
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