Roraima na Rede
Anuncie aqui
--:--
RORAIMA

El Niño pode provocar seca severa e ampliar risco de queimadas em Roraima

Ministério da Saúde prevê período crítico entre outubro de 2026 e março de 2027 e prepara plano de ação para reduzir impactos sobre a população e os serviços do SUS

Ministério da Saúde prevê seca prolongada, calor intenso e maior risco de queimadas em Roraima durante a atuação do El Niño.

Roraima poderá enfrentar uma seca severa e prolongada, redução das chuvas, calor intenso e aumento do risco de queimadas durante a atuação do El Niño. A previsão faz parte do cenário apresentado pelo Ministério da Saúde, que realiza uma missão técnica no estado para avaliar a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde e preparar medidas para o período mais crítico.

Segundo o planejamento federal, o Brasil entrará, a partir de outubro, em uma janela de maior risco climático que deverá se estender até março de 2027. Para a Região Norte, os principais efeitos previstos são estiagem prolongada, redução da disponibilidade de água e avanço dos incêndios florestais.

A missão técnica ocorre nesta terça e quarta-feira, dias 15 e 16 de setembro, sob a coordenação do Departamento de Emergências em Saúde Pública. A agenda envolve diferentes áreas do Ministério da Saúde, além da Secretaria de Estado da Saúde de Roraima.

O objetivo é analisar as vulnerabilidades existentes, identificar possíveis dificuldades no atendimento à população e construir um plano conjunto de preparação e resposta. A programação prevê que as medidas sejam apresentadas e pactuadas nesta quarta-feira.

Roraima já está em situação de emergência

A mobilização ocorre após o Governo de Roraima decretar, no dia 2 de setembro, situação de emergência por causa da estiagem. A medida, válida por 180 dias, classifica o desastre como de nível 2, considerado de média intensidade.

O cenário ambiental já apresenta sinais de agravamento. Até o dia 27 de agosto, Roraima contabilizou 87 focos de calor, o maior número registrado para o mês desde o início da série histórica. O resultado superou o recorde anterior, de 78 ocorrências, verificado em 2023.

O Ministério da Saúde classifica o El Niño atual como de intensidade muito forte. A combinação de chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas e vegetação seca pode favorecer a propagação de incêndios e aumentar a presença de fumaça no ar.

Seca também representa risco para a saúde

Além dos danos ambientais, a estiagem pode comprometer o abastecimento de água, a produção de alimentos, o deslocamento de equipes e pacientes e o funcionamento das unidades de saúde, principalmente em comunidades indígenas, rurais e localidades de difícil acesso.

Entre os problemas de saúde que podem ser agravados pelo cenário estão doenças respiratórias e cardiovasculares provocadas pela fumaça, desidratação, estresse térmico, insegurança alimentar, desnutrição, dengue e enfermidades transmitidas pela água contaminada.

O calor extremo também pode agravar doenças crônicas e elevar a procura por atendimento médico. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças preexistentes, indígenas e moradores de áreas isoladas estão entre os grupos considerados mais vulneráveis.

Monitoramento do ar, da água e do calor

A preparação do SUS inclui o monitoramento da qualidade do ar pelo programa VigiAr, especialmente em regiões atingidas pela fumaça das queimadas. A qualidade da água destinada ao consumo humano será acompanhada pelo VigiAgua, com o objetivo de prevenir doenças como diarreias e hepatite A.

O VigiDesastres acompanhará os riscos associados à estiagem e aos incêndios, enquanto o Painel Nacional de Excesso de Calor poderá emitir alertas com até cinco dias de antecedência para os municípios brasileiros.

Para a Região Norte, o planejamento também prevê mapas de calor extremo, pontos de hidratação, zonas de resfriamento e protocolos específicos para organizar o atendimento nas unidades de saúde.

O Ministério da Saúde informou que a Força Nacional do SUS permanecerá em prontidão para apoiar Roraima, caso a evolução da emergência exija reforço federal. Somente em 2026, a estrutura participou de 11 missões em oito estados, realizou 4.899 atendimentos e mobilizou 139 profissionais de 14 categorias.

Atualmente, três bases regionais estão em funcionamento no país, localizadas em Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro. Outras seis devem ser implantadas até o fim de 2026. As unidades contam com posto médico avançado, comunicação por satélite e drones e foram planejadas para iniciar o deslocamento de equipes em até 12 horas.

Reforço para a rede de saúde na Região Norte

O planejamento federal apresenta ainda investimentos destinados a ampliar a resistência da rede de saúde da Região Norte aos eventos climáticos. Entre as ações previstas estão 273 Unidades Básicas de Saúde com estruturas mais resilientes, 377 novas ambulâncias do Samu e 587 soluções de abastecimento de água potável em territórios indígenas.

Esses números correspondem ao conjunto da Região Norte e não exclusivamente a Roraima.

A resposta também será apoiada pelos Centros de Informação em Saúde e Clima, que cruzam dados climáticos e epidemiológicos para antecipar riscos. Na Amazônia, a rede reúne unidades em cidades como Belém, Santarém, Manaus, Porto Velho, Macapá e Rio Branco.

A estratégia integra o AdaptaSUS, plano nacional criado para preparar o sistema público de saúde para as mudanças climáticas. O programa estabelece 27 metas e 93 ações até 2035, com previsão de R$ 9,8 bilhões em investimentos.

De acordo com o Ministério da Saúde, o plano que está sendo construído com Roraima deverá considerar as previsões climáticas, o histórico de emergências, as populações mais expostas e a capacidade dos serviços de manter o atendimento durante a seca.

#Roraima #ElNiño #seca #estiagem #queimadas #MinistériodaSaúde #SUS #emergênciaclimática #saúdepública #ForçaNacionaldoSUS