Mulheres da agricultura familiar e de comunidades indígenas de Roraima estão reforçando estratégias para manter a produção rural diante do período de estiagem e dos efeitos associados ao El Niño 2026/2027. Hortas, quintais produtivos, criação de aves, fruticultura e cultivo de plantas medicinais estão entre as atividades utilizadas para garantir produção, renda e segurança alimentar durante os meses mais secos.
Dados do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater) mostram que Roraima possui atualmente 1.944 agricultoras com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). Somente em 2026, mais de R$ 556,4 mil em crédito foram destinados a atividades desenvolvidas por mulheres no campo.
Os recursos foram liberados por diferentes instituições financeiras. A Desenvolve RR respondeu por R$ 250,7 mil; o Banco do Brasil, por R$ 253,2 mil; e o Banco da Amazônia, por R$ 52,3 mil.
A participação feminina alcança diferentes segmentos da agricultura familiar, incluindo horticultura, fruticultura, avicultura, produção de mudas, plantas medicinais e cultivo de pimentas.
Segundo o presidente do Iater, José Antônio Vicente, essa atuação ganha importância durante períodos de estiagem, quando as famílias precisam adaptar a produção às condições climáticas e reduzir o risco de perdas.
“As mulheres têm participação importante na adoção e disseminação de estratégias de segurança alimentar e produção durante o período de estiagem, especialmente por meio de hortas, quintais produtivos, horticultura, fruticultura, avicultura, plantas medicinais e produção de mudas”, afirmou.
Além do trabalho diretamente nas propriedades, agricultoras recebem orientações sobre armazenamento e uso eficiente da água, conservação da umidade do solo, escolha de culturas mais resistentes ao período seco e prevenção de queimadas.
Estiagem exige mudanças no campo
A assistência técnica alcança produtores nos 15 municípios de Roraima. São 61 pontos de atendimento, sendo 41 voltados à agricultura familiar tradicional e outros 20 destinados à agricultura familiar indígena.
Entre as cadeias produtivas atendidas estão mandioca, milho, feijão, café, cacau, produção leiteira, horticultura, fruticultura, criação de animais, sistemas agroflorestais e quintais produtivos.
Com o avanço da estiagem, produtores também são orientados sobre manejo de pastagens, alimentação e bem-estar dos animais, produção e armazenamento de silagem e planejamento das propriedades.
A preocupação é reduzir os impactos da falta de chuva sobre a produção de alimentos e sobre a renda das famílias que dependem diretamente da atividade rural.
Escolas entram na prevenção
O trabalho de orientação também chegou às escolas, principalmente em regiões rurais. Estudantes recebem informações sobre produção sustentável, hortas escolares, plantas medicinais, uso adequado da água e prevenção de incêndios.
A estratégia busca fazer com que o conhecimento adquirido pelos alunos também chegue às famílias e às comunidades onde vivem, especialmente em áreas mais vulneráveis aos efeitos da seca.
Roraima está em situação de emergência por estiagem. Em 2 de setembro, foi instalado um gabinete integrado para coordenar as ações relacionadas ao período seco de 2026/2027.
No campo, entretanto, parte importante da resposta ocorre diariamente dentro das próprias propriedades. Para centenas de agricultoras, adaptar cultivos, preservar água e diversificar a produção tornou-se fundamental para atravessar a estiagem sem abandonar a atividade rural.



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