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Roraima concentra ofensiva da PF contra crimes eleitorais na reta final das Eleições 2026

Levantamento feito pelo Roraima na Rede aponta ao menos 47 prisões em três dias no estado, além de sucessivas operações contra suspeitas de compra de votos; dados nacionais mostram que Roraima se tornou um dos principais focos da atuação da Polícia Federal

Roraima se transformou em um dos principais focos da atuação da Polícia Federal no combate aos crimes eleitorais na reta final das Eleições 2026. Levantamento feito pelo Roraima na Rede, com base em informações divulgadas pela própria PF e em dados nacionais sobre a fiscalização eleitoral, identificou pelo menos 47 pessoas presas no estado entre quinta-feira (1º) e sábado (3) em ações relacionadas principalmente a suspeitas de corrupção eleitoral e compra de votos.

O número chama atenção não apenas pela quantidade de prisões, mas também pela sucessão de operações, flagrantes e apreensões realizadas em poucos dias. Desde o início da última semana da campanha, Roraima passou a aparecer repetidamente nos comunicados nacionais da Polícia Federal relacionados à repressão aos crimes eleitorais.

Somente entre os dias 1º e 3 de outubro, as ocorrências individualizadas consultadas pelo levantamento somam 23, seis, duas, 11 e cinco prisões, chegando a pelo menos 47 pessoas. A conta é conservadora e procura evitar que uma mesma prisão seja contabilizada mais de uma vez em operações que tiveram desdobramentos posteriores.

Dinheiro, listas de eleitores e suspeita de compra de votos

Além das prisões, as ações policiais resultaram na apreensão de grandes quantidades de dinheiro em espécie.

No dia 1º de outubro, uma das ações terminou com a apreensão de R$ 33.720, além de uma lista contendo nomes de eleitores. Em outra ocorrência, 22 pessoas foram presas. Segundo a Polícia Federal, eleitores abordados teriam relatado o recebimento de R$ 400.

No dia seguinte, a PF prendeu seis pessoas em Boa Vista e apreendeu cerca de R$ 45 mil. Em Alto Alegre, outros dois suspeitos foram presos após uma abordagem que terminou com a apreensão de R$ 8.007 dentro de um veículo e R$ 17.100 em um imóvel, totalizando R$ 25.107. O dinheiro estava separado em diferentes montantes e acompanhado de anotações com nomes.

Também na sexta-feira, outra ação em Boa Vista terminou com 11 pessoas presas e cerca de R$ 4,3 mil apreendidos.

No sábado, uma nova ocorrência resultou na prisão de outras cinco pessoas e na apreensão de aproximadamente R$ 1,2 mil, além de listas contendo nomes e CPFs de eleitores. A PF também deflagrou a Operação Umbra, cumprindo quatro mandados de busca e apreensão em Boa Vista e Mucajaí. Durante as diligências foram encontrados R$ 8 mil em espécie.

Considerando somente os valores explicitamente relacionados às ocorrências analisadas e acrescentando os R$ 300 mil apreendidos neste domingo (4) na Operação Cota-Parte, o levantamento chega a pelo menos R$ 417.327 em dinheiro apreendidos nas ações consideradas.

O cálculo não inclui valores apenas bloqueados judicialmente nem apreensões anteriores cuja data não permite enquadramento seguro no período analisado.

Operações se sucedem em poucos dias

A atuação da Polícia Federal em Roraima na reta final da eleição também ficou marcada por uma sequência de operações com investigações relacionadas a possíveis crimes eleitorais.

Entre elas aparecem as operações Lemming, Gubbio, Moriarty, Umbra e Cota-Parte, além das diversas ações de fiscalização que terminaram em prisões em flagrante. Uma das últimas ações policiais desencadeadas neste domingo foi a Operação Vigília do Sufrágio, que também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a candidatos.

Neste domingo, dia da votação, a PF deflagrou a Operação Cota-Parte para investigar suspeita de corrupção eleitoral. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e encontrados aproximadamente R$ 300 mil em espécie.

A investigação é um desdobramento da ação que havia resultado na prisão de 11 pessoas na sexta-feira. Segundo a PF, as diligências procuram esclarecer a origem e a destinação dos recursos e identificar possíveis participantes do esquema investigado.

Já a Operação Lemming, deflagrada na quinta-feira, aprofundou investigação sobre suspeitas de corrupção eleitoral e associação criminosa. A Justiça também autorizou medidas patrimoniais que poderiam alcançar R$ 4,228 milhões. Esse montante não entra na soma de dinheiro apreendido pelo levantamento, uma vez que bloqueio judicial e apreensão de dinheiro são medidas distintas.

Roraima se destaca pelo número de prisões

As ações contra crimes eleitorais não estão restritas a Roraima. A Polícia Federal também realizou operações e flagrantes em diversos estados durante a última semana da campanha.

No Piauí, por exemplo, 18 pessoas foram presas em Teresina em uma ação de combate à compra de votos. Alagoas registrou apreensões que ultrapassaram R$ 1 milhão em diferentes ocorrências. Paraíba, Sergipe e São Paulo também tiveram operações com apreensões de centenas de milhares de reais.

Por isso, os dados disponíveis até este domingo não permitem afirmar que a maioria absoluta das operações eleitorais realizadas pela Polícia Federal no país ocorreu em Roraima.

O que os números permitem afirmar é que Roraima aparece entre os principais focos da ofensiva federal e se destaca especialmente pela quantidade de pessoas presas por suspeitas de corrupção eleitoral em um intervalo muito curto.

Os pelo menos 47 presos contabilizados em apenas três dias representam um volume expressivo, sobretudo considerando que Roraima possui um dos menores eleitorados entre os estados brasileiros.

PF já apreendeu milhões em todo o país

O cenário de Roraima faz parte de uma mobilização nacional da Polícia Federal durante as Eleições 2026.

De acordo com balanço parcial divulgado pela instituição neste domingo, a PF já contabilizava 1.293 inquéritos policiais relacionados a crimes eleitorais ao longo de 2026.

O patrimônio apreendido nas investigações alcançava aproximadamente R$ 45,6 milhões, sendo cerca de R$ 30,2 milhões em dinheiro vivo.

Somente neste domingo, até as 11h30, a Polícia Federal havia conduzido 48 pessoas em ocorrências registradas em 12 estados e no Distrito Federal. As apreensões do dia somavam R$ 769,2 mil em bens e valores, dos quais aproximadamente R$ 363,5 mil eram dinheiro em espécie.

Os números são parciais e ainda podem aumentar até o encerramento da votação e a consolidação do balanço nacional.

Uma eleição sob intensa fiscalização

A sucessão de prisões, apreensões e operações coloca Roraima em posição de destaque no mapa da fiscalização federal destas eleições.

Em poucos dias, agentes encontraram dinheiro em espécie, listas com nomes de eleitores, anotações, documentos e outros materiais que agora integram investigações sobre possíveis esquemas de corrupção eleitoral.

As circunstâncias e responsabilidades individuais ainda dependem das investigações e, posteriormente, da análise da Justiça. Prisões, apreensões ou cumprimento de mandados não significam, por si só, condenação dos investigados.

Os números disponíveis, entretanto, revelam a dimensão da mobilização policial no estado: pelo menos 47 pessoas presas em três dias e mais de R$ 417 mil em dinheiro contabilizados nas ocorrências analisadas pelo Roraima na Rede.

O balanço definitivo da Polícia Federal após o encerramento das eleições deverá permitir uma comparação mais precisa entre os estados e mostrar qual foi, efetivamente, o peso de Roraima no conjunto das operações de combate aos crimes eleitorais realizadas no país.

Nota da Redação: esta matéria foi editada antes da Polícia Federal divulgar uma nova operação que resultou na apreensão de R$ 15 mil e no cumprimento de quatro mandados em investigação de compra de votos.

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