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RORAIMA

Calor intenso em Roraima aumenta risco de desidratação e exige atenção à pressão arterial

Idosos e pessoas com hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares estão entre os grupos que precisam redobrar os cuidados; sintomas de AVC exigem atendimento imediato

As altas temperaturas registradas em Roraima exigem atenção redobrada com a hidratação e a pressão arterial, especialmente entre idosos e pessoas com hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares. A perda excessiva de líquidos pelo suor pode provocar desidratação, queda da pressão e outros desequilíbrios no organismo.

Segundo a neurologista Ana Rosa, coordenadora da Neurologia do Hospital Geral de Roraima (HGR), o calor provoca vasodilatação e aumenta a perda de líquidos. Em algumas pessoas, isso pode levar à redução da pressão arterial e do fluxo sanguíneo para o cérebro, causando mal-estar.

“Aqui em Boa Vista estamos passando por ondas de calor, o que é um risco para a população em geral, principalmente no tocante à estabilidade da pressão. Então a gente tem uma vasodilatação, perda de líquidos principalmente pelo suor, o que pode causar baixa de pressão em algumas pessoas, levando até a hipofluxo cerebral e sendo uma causa importante de mal-estar”, explica.

Durante períodos de calor intenso, a recomendação é beber água regularmente, sem esperar que a sede apareça. O cuidado é particularmente importante para idosos, que podem ter menor percepção da necessidade de ingerir líquidos.

Como referência geral, o consumo diário pode variar entre 30 e 35 mililitros de líquidos por quilo de peso corporal. Essa quantidade, no entanto, não serve indistintamente para todas as pessoas. Pacientes com doenças cardíacas, renais ou outras condições que exijam restrição hídrica devem seguir as orientações do profissional responsável pelo tratamento.

O calor também pode interferir na estabilidade da pressão arterial de pessoas que já apresentam fatores de risco cardiovascular. De acordo com Ana Rosa, episódios de desidratação e alterações da pressão merecem atenção nesse grupo.

“Pessoas como idosos, pessoas já com doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes, essa instabilidade, essa alteração, essa vasodilatação levando à desidratação pode favorecer aumentos, picos pressóricos, e esses picos de pressão podem ser um risco inerente a um AVC”, alerta.

Além da ingestão de água, refeições mais leves, com frutas e alimentos de fácil digestão, são indicadas nos períodos de temperaturas mais elevadas. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas deve ser evitado porque o álcool pode contribuir para a desidratação.

Outro ponto de atenção são os medicamentos. Pessoas que utilizam remédios para hipertensão ou doenças cardiovasculares não devem interromper o tratamento nem aumentar ou reduzir doses por conta própria diante de alterações na pressão ou episódios de mal-estar.

Sintomas de AVC exigem atendimento imediato

Fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar ou compreender, alterações súbitas na visão, tontura, perda de equilíbrio e dificuldade para caminhar estão entre os sinais que podem indicar um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Dor de cabeça súbita e intensa e vômitos também podem ocorrer em alguns casos.

“É muito importante que o paciente fique atento a alguns sinais, como fraqueza de um lado ou dormência de um lado do corpo, alteração da fala, alteração da visão, vertigem e até vômitos. O mais importante é que, se algum desses sintomas aparecer, não espere melhorar em casa e procure imediatamente os serviços de emergência”, afirma a neurologista.

A rapidez no atendimento é determinante nos casos suspeitos de AVC. O HGR é a unidade de referência estadual para esses pacientes e dispõe de estrutura específica para acompanhamento e tratamento.

“Cada minuto que se passa é perda das funções cerebrais. É muito importante que, se sentir algum desses sintomas, já procure uma emergência”, reforça Ana Rosa.

Em caso de suspeita de AVC, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo 192. A orientação é não aguardar a melhora espontânea dos sintomas antes de buscar atendimento.

Os cuidados ganham importância adicional diante do período de estiagem em Roraima. O Estado decretou situação de emergência em 2 de setembro, com vigência prevista de 180 dias, e autoridades de saúde trabalham com a possibilidade de impactos relacionados à redução das chuvas e às temperaturas elevadas.

Em 15 de setembro, técnicos estaduais e do Ministério da Saúde discutiram a preparação da rede para os possíveis efeitos da estiagem e do El Niño. Entre os problemas considerados no planejamento estão desidratação, doenças respiratórias, doenças relacionadas à água, arboviroses e queimaduras.

O planejamento prevê ainda monitoramento epidemiológico, organização da logística de atendimento e disponibilidade de soro de reidratação oral nas unidades de saúde, diante da possibilidade de agravamento das condições climáticas nos próximos meses.