O agronegócio vem ampliando sua participação na economia de Roraima e fortalecendo uma cadeia que começa dentro das propriedades rurais, mas se estende pelo comércio, transporte, armazenagem, indústria de alimentos e prestação de serviços. Dados oficiais mostram crescimento do valor da produção, aumento das exportações e expansão do emprego formal no setor ao longo dos últimos anos.
De acordo com levantamento da Secretaria de Planejamento de Roraima, elaborado com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a agropecuária criou 1.667 empregos formais entre 2019 e 2023. O saldo anual passou de 204 vagas, em 2019, para 603 novos postos de trabalho em 2023.
Naquele ano, o número de empregos do setor cresceu 21,39% em Roraima, a maior variação relativa entre os cinco grandes grupos de atividades econômicas analisados pela Seplan.
Os dados se referem aos empregos diretamente classificados como agropecuários. Portanto, não incluem parte das vagas geradas em atividades ligadas ao setor, como transporte de cargas, oficinas, revendas de máquinas e insumos, armazenamento, comércio atacadista, frigoríficos e serviços técnicos.
Soja, dendê e pecuária concentram empregos
O levantamento da Seplan identifica cinco atividades com maior presença no mercado formal agropecuário roraimense: cultivo de dendê, criação de bovinos para corte, produção de soja, criação de aves para produção de ovos e cultivo de arroz.
Em 2023, o dendê mantinha 1.057 trabalhadores formalizados, seguido pela criação de bovinos para corte, com 547 vínculos. A soja empregava diretamente 484 trabalhadores, enquanto a produção de ovos reunia 265 postos e o cultivo de arroz, 245.
A comparação com 2020 mostra uma expansão expressiva em algumas dessas atividades. O emprego no cultivo de dendê passou de 581 para 1.057 vínculos, alta de quase 82%. Na pecuária bovina, o número aumentou de 359 para 547, enquanto a soja avançou de 266 para 484 empregos formais.
Esses números ajudam a demonstrar que a expansão do campo não se resume à abertura de novas áreas de cultivo. O crescimento da produção aumenta a demanda por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, motoristas, mecânicos, trabalhadores administrativos, veterinários e profissionais ligados à comercialização.
Valor da produção chega a R$ 2,84 bilhões
A ampliação da renda movimentada pelo setor aparece no Valor Bruto da Produção Agropecuária, indicador calculado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária com base na produção e nos preços recebidos pelos produtores.
Em 2025, o VBP de Roraima foi estimado em R$ 2,84 bilhões, ante R$ 2,46 bilhões em 2024. O crescimento nominal foi de aproximadamente 15,6%, equivalente a cerca de R$ 385 milhões a mais no valor gerado pela produção.
A soja e a pecuária bovina aparecem entre as principais responsáveis pelo desempenho. O avanço também alcança culturas como milho e arroz, além da produção de frutas, ovos e outras atividades desenvolvidas por pequenos, médios e grandes produtores.
O VBP, no entanto, representa o faturamento bruto da produção e não deve ser confundido com lucro líquido ou renda integralmente apropriada pelos produtores. Custos com fertilizantes, combustíveis, sementes, máquinas, financiamento e transporte precisam ser descontados para medir o ganho efetivo.
Agronegócio domina exportações estaduais
A importância econômica do setor também é confirmada pela balança comercial. Em 2025, Roraima exportou US$ 240,6 milhões e registrou superávit comercial de US$ 195 milhões, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sistematizados pela Seplan.
A soja em grão respondeu por US$ 98,2 milhões das vendas externas, enquanto os derivados de soja movimentaram US$ 33,8 milhões. Juntos, os dois grupos alcançaram aproximadamente US$ 132 milhões e representaram 55% de tudo o que Roraima exportou no ano.
A China foi o principal destino da soja em grão. Venezuela e Guiana, por sua vez, compraram derivados de soja, carnes, açúcares, margarina e outros produtos alimentícios.
O boletim da balança comercial de Roraima mostra ainda que as exportações do estado ganharam força principalmente no segundo semestre, acompanhando o calendário da colheita da soja. O dado evidencia tanto o peso econômico do produto quanto a dependência estadual de uma pauta exportadora ainda concentrada.
Emprego no campo oscila conforme a safra
Apesar da trajetória de crescimento no médio prazo, o mercado de trabalho agropecuário não avança de maneira contínua. Em 2025, o setor fechou 304 postos formais em Roraima e encerrou dezembro com 3.214 trabalhadores registrados, segundo o Caged.
Em abril de 2026, a atividade voltou a apresentar saldo positivo, com dez novas vagas. Já em julho, foram registradas 136 admissões e 211 desligamentos, resultando na redução de 75 postos.
As oscilações estão relacionadas ao caráter sazonal das atividades rurais. Plantio, manejo e colheita exigem volumes diferentes de trabalhadores ao longo do ano. Por isso, um mês negativo não representa, isoladamente, retração estrutural, da mesma forma que um mês positivo não garante crescimento permanente.
O cenário indica que Roraima conseguiu ampliar a produção e o valor movimentado pelo campo, mas ainda enfrenta o desafio de transformar esse crescimento em empregos mais estáveis e renda distribuída ao longo de toda a cadeia.
Desafio é agregar valor à produção
A consolidação do agronegócio como fonte duradoura de emprego e renda dependerá da capacidade de Roraima avançar além da venda de produtos primários. Investimentos em armazenamento, agroindústrias, frigoríficos, beneficiamento de grãos e produção de alimentos podem manter uma parcela maior da riqueza dentro do estado.
Infraestrutura logística, segurança jurídica, assistência técnica, crédito acessível e qualificação profissional também serão determinantes. Outro desafio é ampliar a participação da agricultura familiar e dos pequenos produtores nos mercados institucionais, no comércio regional e nas exportações.
Os números comprovam que o agronegócio já ocupa uma posição estratégica na economia roraimense. O passo seguinte será fazer com que cada tonelada produzida deixe no estado não apenas receita de exportação, mas também mais empregos qualificados, arrecadação, oportunidades e renda para a população.
Expansão da produção agropecuária fortalece o mercado de trabalho, movimenta serviços e amplia a participação de Roraima no comércio exterior.
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